Montanhas do Paraná e do Brasil

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Travessia circuito Couto/Prateleiras, chuva, frio, lama e tudo dá certo no final.

Trekking, Trilhas e Caminhas
Sempre soube que quem manda em uma boa caminhada é a natureza. Ela é quem dita como serão os seus passos, as suas forças, como você chegar e como você pretende chegar. É a natureza que diz para você: “Prepare seu psicológico porque sou eu que vou dizer se você chegará ao final, se você terá uma bela vista ou apenas um branco em forma de nevoeiro à sua frente. Porém, posso lhe dizer que, de qualquer forma, se você me respeitar você sempre voltará. E eu, a natureza, estarei de braços abertos para você!”.
É assim que eu posso definir o dia que estivemos no Parque Nacional do Itatiaia entre 20 e 21 de Agosto de 2016, uma data que ficará marcada para sempre. O bom de tudo isso é que, ao final, deu tudo certo, ou quase.
Edinaldo, amigo meu de montanha, me convidou para ajudar a guiar um grupo para o Agulhas Negras e Couto, montanhas que eu conheço bem e estão entre as 10 montanhas mais altas do Brasil. Couto e Agulhas Negras são as duas montanhas mais altas do Rio de Janeiro. Agulhas com 2791 metros e Morro do Couto com 2680 metros.
A ideia de início era fazer o Agulhas no sábado e o Couto no domingo, assim teríamos bom tempo para voltar pra casa. Quando chegou próximo do dia resolvemos então inovar e fazer a travessia “Circuito Couto/Prateleiras” no sábado e no domingo fazer o Agulhas Negras. Edinaldo acertou com o seu grupo “Trekking, Trilhas e Caminhas” e eu escolhi o mesmo lugar onde sempre fico que é a pousada da dona Olímpia, onde é possível acampar com direito a janta, café, estadia em camping ou chalé que fica localizada em Vargem Grande - MG, próximo a estrada de acesso ao parque. Acertamos também com o Paulinho que é um guia experiente da região que nos acompanhou amigavelmente o tempo todo. A previsão não era muito boa, anunciava chuva tanto sábado como domingo. Mas sempre existe aquela esperança de que o tempo mude, porém, como dito no início, é a natureza quem manda.
Chegamos ao PNI as 6 da manhã, Paulinho já nos esperava com as fichas prontas, logo em seguida começava a nossa tortura, os motoristas não quiseram nos esperar como é de praxe e tivemos então que leva-los para a pousada a fim de que eles descansassem.  Até ai tudo bem, compreendemos a situação dos dois e fizemos isso sem nenhum problema e nem imaginava que no final de tudo isso poderia dizer que os motoristas seriam verdadeiros heróis.
Voltamos e logo começamos a subir o morro do Couto, minha esposa como sempre me acompanhava com alegria. Paulinho conhecia bem a região e tomou a frente nos guiando, apresentando vários lugares e vias de escaladas, como também a vista da Serra Fina e o Vale do Paraíba. Do lado que segue para Serra Negra e Pico do Agulhas Negras já começava e cobrir tudo com a forte cerração, mas do lado da Serra Fina era possível ter uma bela vista. Logo que chegamos as antenas, próximo a base do Couto, ventos fortes começavam a soprar e o grupo já estava se separando. Ao chegamos na base começávamos a subir em direção a grande pedra, ali começa uma “escalaminhada” em direção ao Couto. Em duas horas já estávamos no cume, um vento forte soprava e um frio intenso começava mas ainda não estava chovendo. Uma parte do grupo estava com o Paulinho e começava a descer sentido Prateleiras, eu e minha esposa descemos logo em seguida e logo atrás, apreciando mais ainda aquele paraíso, vinha o Edinaldo e a outra parte do grupo, pois estávamos num total de 18 pessoas.
A trilha Couto/Prateleiras é fantástica! Lugar lindo, cheio de enormes pedras e paredões, não é uma trilha difícil e nem tão longa, a trilha é basicamente marcada, só há um trecho que pode confundir um pouco, mas se prestar bem atenção logo verá a trilha batida. É bom levar água. Só vi um trecho que tem água e é já quase no final da trilha. O único local que você precisa “escalaminhar” é somente no Couto, o restante é trilha de fácil acesso. Não está sendo mais permitido fazer o Prateleiras nessa travessia e é necessária autorização.
Quando já avistávamos o Prateleiras começava uma chuva fraca que logo foi aumentado, assim como o frio e fortes ventos. Nesse momento percebi que as coisas não ficariam da forma que queríamos. Se continuasse assim já imaginei que o Agulhas Negras não seria mais possível, e já comecei a ficar preocupado com a bendita estrada que leva até o local da nossa estadia. No total foram 5 horas de caminhada, em torno de 13 quilômetros da portaria Marcão e retorno à mesma portaria. Todo o grupo já estava chegando bem cansando e a van nos esperava no estacionamento do parque e de lá logo irmos para  o camping e montar nossas coisas e vermos o que iria acontecer no dia seguinte.
Na descida da entrada já logo percebi que a mesma não estava muito boa e, o motorista logo nos informou que a subida com a estrada molhada ia ser um problema, pois a van já tinha derrapado. Nesse momento já não chovia, avistamos um caminhão de mudança atolado, aí o nosso motorista logo parou e nos informou que não seria possível descer com a van, pois não conseguiria voltar por aquela estrada. Ainda faltavam uns 3 km para chegarmos até o local onde iriamos acampar, todo o grupo teria que deixar a van e teríamos que andar esse tanto de tempo para chegar lá. Minha preocupação era com o grupo, pois fui eu que os coloquei nessa enrascada e já de início me senti mal por isso. Logo em seguida o motorista desce com a van dizendo que não era nem possível voltar, que o jeito era descer de uma vez e esperar o que ia acontecer.

Inicio da trilha




Serra Fina
Vale do Paraíba
Morro do Couto
Toca do Índio 
Prateleiras ao fundo

Chegando à chácara da dona Olímpia, ela nos esperava, então, montamos as coisas e fomos nos deliciar com uma bela refeição que ela preparava, uma comida bem caseira e deliciosa. Até o presente momento sem uma gota da chuva naquela região, as esperanças começavam aflorar com a ideia de fazer o Agulhas e não termos de nos preocupar com a estrada molhada. Mas essa esperança foi jogada para escanteio quando ao longe começamos a ouvir barulho de trovão e clarão no céu. Pronto! Tudo o que eu temia agora era fato! A chuva começou umas 9 da noite e não parou mais, foi assim a madrugada toda e no domingo também. No dia seguinte acordamos, tomamos um bom café da manhã preparado por dona Olímpia enquanto a chuva continuava e às vezes parava, mas não era suficiente para secar a estrada ruim, com certeza se a van fosse passar ficaria atolada e poderia ser até pior, poderia descer na ribanceira daquela estrada. A nossa única chance seria um trator, e somente na parte alta da serra seria possível encontrar um.
Dona Olímpia e Sr Lourival

De início o senhor Lourival, dono do local onde estávamos se propôs em nos ajudar, e foi a pior besteira aceita, porque ele tem problemas de saúde e nem paramos para pensar nisso. Ele, o motorista e o Edinaldo resolveram então pegar o único automóvel que sobe aquelas estradas: um fusca. Na tentativa de subir a estrada molhada o fusca derrapava e não subia, o senhor Lourival teve um sério problema cardíaco, que assuntou todo mundo, ficou muito próximo de chegar a uma parada total do coração. Deu muito medo! Já vi que não seria fácil. Uns dos filhos da dona Olímpia resolveu ajudar também, subiu até o alto da serra de moto, mas não encontrou nenhum trator disponível.  Agora somente Deus saberia o que iria acontecer, até que lá pelas 15:00 surge uma esperança, um morador que faz serviços topográficos no parque e se propôs em ajudar com sua caminhonete 4x4 potente. Deixamos as mochilas e algumas pessoas principalmente as mulheres e subimos a estrada. Até uma parte a van subiu bem, mas quando chegou no local aonde o caminhão estava atolado aí já foi um desespero só! Com a força da caminhonete, pedras nas rodas e força de alguns empurrando, a van conseguiu passar pelo primeiro ponto. Chegamos no segundo e mais difícil ainda, mas com a força descomunal da caminhonete conseguimos tirar a van daquela estrada infernal, molhada e barrenta. O motorista da caminhonete 4x4 desceu para buscar as mochilas e as meninas que estavam lá embaixo e depois, mais uma viajem para trazer o resto do pessoal e as coisas que faltavam. Para minha surpresa minha barraca e uma pequena mochila com roupas molhadas ficaram esquecidas num canto. Foi um desespero só, até briguei com minha esposa desnecessariamente sem ela ter culpa, e também me senti muito mal com o que houve, ai percebi que a culpa não era de ninguém e sim da situação e da extrema tensão em que nos encontrávamos. Ainda bem que tanto minha mochila e como minha barraca ficaram seguras, agora é dar um jeito e trazê-la novamente com segurança.
Aprendi que devemos sempre e, em qualquer circunstância, respeitar a natureza. Aprendi também que em caso de chuva ou seja o que for, deve-se adiar ou até mesmo cancelar a viajem. Aprendi também a conferir minhas coisas, para evitar esquecimentos. Aprendi a importância de ficar calado mesmo nos momentos mais difíceis e também se manter otimista mesmo em meio as maiores dificuldades em que nos encontrarmos, pois uma coisa é certa: se for a vontade de Deus tudo sempre vai dar certo!

Inicio da estrada

Agradecimentos


Agradeço a todos que participaram desse dia:
Edinaldo Couto
Miria Caetano
Barbara Salgado
Sabrina Chodoma
Haline Hinokuma
Silvio Pedroso
Rosangela Santos
Andre Kieling
Denise Lovato Vidal
Tati Araujo
Nana Moraes
Evandro Dos Santos Matozo
Jhoni Sicley
Isaltino Rodrigues Netto
Cristina Valenga
Pedro Kalva Neto

Em especial Paulinho que nos ajudou na trilha e também minha esposa Antonia que com muita sabedoria soube me ajudar nos momentos de estresse.
E também aos dois motoristas Prado e Alex que com muita paciência nos tiraram de lá.
Dona Olímpia o senhor Lourival que nos cederam um espaço e nos acolheu tão bem.

Quero pedir desculpas a todos pelos erros e pela má impressão deixada. E muito obrigado a todos, logo, logo terá mais aventuras como essa. Ops, com a natureza a nosso favor! 



video




quarta-feira, 4 de maio de 2016

Trilha Lagoinha do Leste - Florianópolis - SC

Quatro dias em Bombinhas foi maravilhoso, visitemos várias praias inclusive a minha preferida que é a Praia de Sepultura. Fizemos algumas trilhas e curtimos muita praia. Mas agora o nosso destino é Florianópolis e fazer uma nova trilha, Lagoinha do Leste. Reservei uma pousada na praia de Campeche, a mais próxima possível que eu consegui da trilha, combinei com vários amigos de Floripa para realizar conosco essa trilha, mas somente o Evaldo pode ir. Acertei alguns detalhes também com a nossa parceira de trilha a Viviane Canuta em ir conosco e ela não pensou duas vezes. Chegamos em Florianópolis na quinta-feira bem depois do almoço, o clima estava quente, mas já tinha uma previsão de chuva na sexta feira, dia da nossa trilha. Chegamos na pousada que tinha reservado e um susto, ninguém na casa, alguns moradores da rua não souberam me informar se ali tinha realmente tinha uma pousada. Endereço certo, número também, no site era exatamente a casa que estava bem na nossa frente. Não é bem uma pousada, e sim uma casa de madeira. Ficamos bastante preocupados, pois já imaginei sendo lesado, mas foi só um susto, logo no meu whatsapp tinha uma mensagem dos proprietários informando que tivera que sair e que logo voltava. Resolvemos então conhecer a praia que fica bem próximo a pousada. O mar estava bem bravo, voltei para pegar algumas coisas no carro, foi então que os donos da pousada apareceram.

O pessoal da pousada me pediu desculpas e claro que aceitei numa boa. Não vi problema algum pois não estávamos ali para apreciar e sim para dormir, pois no dia seguinte íamos iniciar uma nova trilha. A pousada não era assim uma pousada, parecia mais um hostel, tinha dois quartos, uma sala e um banheiro bem simples e os donos moravam embaixo, me senti até confortável e a vontade. Local era tranquilo e sossegado, propício para quem quer descansar antes de uma longa trilha. Eu e minha esposa fomos comprar alguma coisa para o lanche do dia seguinte e também pão para o nosso café da tarde, pois estávamos com bastante fome. No dia seguinte a previsão do tempo não tinha errado, começava a chover e a ventar forte. Pelo whatsapp conversei com o Evaldo e a Viviane que estava em Palhoça para acertar se realmente iriamos enfrentar chuva e vento na trilha. Eles estavam dispostos a fazer a trilha de qualquer maneira, então, partimos com o tempo assim mesmo.

Chegamos na praia do Matadeiro onde se inicia a trilha, a chuva tinha dado uma leve trégua, mas o vento ainda soprava forte. Deixamos carro e moto num estacionamento de rua nas proximidades e começamos a caminhar direto para a trilha. No início passa-se por uma ponte e segue para a praia do Matadeiro, um ponto de referência para quem quiser começar a trilha é deixar o carro próximo a igrejinha do local, bem numa rua onde tem um modulo policial. Existe estacionamento pago também. A ponte fica depois da vila dos pescadores, por essa ponte atravessa-se um rio para chegar até a praia do Matadeiro. Iniciamos nossa trilha já passava das 9:30, logo chegamos a trilha da Lagoinha, no começo é fácil, poucos obstáculos e uma subida leve. Quando chegamos na primeira vista da encosta, logo começou a chover, a chuva ainda era leve. A vista já nos mostrava que a trilha era linda, o mar estava bem agitado, de longe avistamos armadilhas para peixe e a praia do Matadeiro começava a ficar para trás. Continuamos nossa trilha e logo a chuva começava a apertar e foi assim até o final da nossa trilha. De longe avistamos um grupo de jovens que também estava fazendo essa trilha, um deles carregava uma prancha de surf.

Depois de uma hora e meia de trilha começamos a caminhar sobre o costão, um visual lindo e muito vento. As ondas batiam nas pedras com força, Evaldo nos contou que é possível chegar mais próximo da encosta e até pescar, e nos contou também que é possível ver baleias nas proximidades. Continuamos nossa trilha embaixo de muita chuva e vento, tiramos poucas fotos, pois era impossível usar a máquina naquele local. Logo avistei uma gruta bem no costão, tem uma trilha que chega próximo, mas como estávamos com nosso tempo curto e chuva apertando não quis nem pensar em chegar próximo. Depois de duas horas de trilha avistamos a Praia da Lagoinha do Leste, uma praia linda e deserta, cercado por um pedaço da mata Atlântica. Era possível avistar algumas barracas, algumas pessoas, mas era bem pouca. A praia tem esse nome justamente por causa de uma lagoa que fica próximo a margem da praia, O local é ideal para que gostar se surfar.  Fizemos um lanche embaixo de uma pedra que segurava o vento e a chuva e continuísmo a nossa caminhada. Começamos a descer o morro e a chuva começava a ficar mais forte ainda, nós quatro já estávamos saturados de tanta água.

Para chegar na praia é preciso descer um morro de uns 100 metros, chegamos na areia da praia e ficamos em baixo de um quiosque e ali tomamos a decisão de não subir o morro da Coroa que fica a mais de 200 metros de altura, pegamos a trilha que vai para a praia do Pântano. Essa trilha já é mais curta, porém é de morro acima, começamos a encontrar muitas pessoas na trilha que estavam indo até a Lagoinha, uns com barracas outros com pranchas. A trilha é única e não tem como se perder. O percurso da Lagoinha até o Pântano leva em torno de uma hora de caminhada, num total de quatro horas de caminhada sem ir para o morro da Coroa. Nosso destino agora era chegar até a estrada e pegar um ônibus até onde deixamos nosso carro e moto. Logo avistamos a civilização e a estrada, paramos num ponto de ônibus e esperamos uns 40 minutos para o próximo ônibus. Depois de muita chuva, vento, trilha molhada e frio, chegamos no nosso carro. Dessa vez nos hospedamos na casa do Evaldo, ele nos acolheu muito bem. Minha esposa Antônia e nossa amiga Viviane estavam bem cansadas. No dia seguinte era voltar para Curitiba e ficar lembrando dos bons momentos que Bombinhas e Florianópolis nos proporcionaram. Dias que vão ficar na memoria para sempre. 
Vídeo da trilha aqui 

Praia do Matadeiro 

Praia do Matadeiro ao fundo

A trilha começa aqui











A gruta

Praia da Lagoinha e o Morro da Coroa

A lagoinha que da o nome a praia.